MAURO BRANDÃO, mineiro de Caeté, escritor, poeta e músico, é Bacharel em Ciências Econômicas pela U

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Sobrevoando os aeródromos das palavras, Mauro Brandão - descendente hereditário da verve literária de Guimarães Rosa (a avó paterna, Georgina Pinto Rosa era prima de primeiro grau desse grande escritor) se lança no mundo da literatura através do seu livro, o romance Claraluz e o Poeta, lançado em outubro de 2014 pela Editora Letramento. Outros projetos literários estão sendo concebidos: "Coletâneas Virtuais I", poesias; "Na Solidão do Outro", romance psicológico; "Tempestade Magnética", ficção científica; "A História do Homem e do Universo: crítica ao fundamentalismo", ensaio filosófico; "Voltei Formiga", realismo mágico; "O Descobrimento de Outro Mundo", ficção científica; "Brincando de Deus", realismo mágico; "O Ladrão das Artes", infanto-juvenil; "De Volta ao Presente: história de alguns", contos; "Os Guardiões da Luz", segundo livro da trilogia de Claraluz e o Poeta; "Olavo e o Mestre", autoajuda.

Mauro Brandão é músico, tecladista do Coral Juvenal Alves Vilela e fundador e membro da banda Nova Estação

domingo, 25 de novembro de 2012

existencialismos poéticos...




Tu és buraco negro, 
e ao buraco negro voltarás!

***

Foto: TRÊS CONSIDERAÇÕES SOBRE A LOUCURA

Um dos livros que li, ainda na adolescência, foi "Elogio à Loucura" de Erasmo de Roterdã. Desde então, loucura passou a ter em mim um significado diferente do estigma que carrega. Por isso, estou postando três escritos meus, dissertado e em versos, sobre o loucura:

ELOGIO À LOUCURA I

Há dois tipos de loucos:
Os loucos visíveis, 
que fazem da sua loucura a utopia, 
a crença no absurdo que se materializa concreto.
Estes são os loucos.

E os loucos invisíveis, 
que se escondem atrás das sombras da sua loucura, 
e ingratamente, não a reconhece. 
Desdenham e deserdam a sua loucura como se não fosse deles. 
Estes são os hipócritas.

************************************************

ELOGIO À LOUCURA II

Da minha loucura fiz meu travesseiro.
E não há noite que eu não sonhe
Que um dia não fui louco,
e quantos pesadelos vivi por isso.

************************************************

ELOGIO À LOUCURA III

Algumas pessoas acham que eu ficaria ofendido se eu for chamado de louco. A vocês, digo de antemão: eu ficaria ofendido se eu fosse chamado de "normal"! Conceitos vagos sobre normalidade e anormalidade passam por duas impressões: 

A primeira é o conceito matemático de normalidade. Normal significa, na matemática, uma função estatística que incluem eventos mais frequentes, onde o que está fora do normal é não estar enquadrado nos padrões mais frequentes daquele determinado evento. E o outro conceito de normalidade, e é o que vem na cabeça das pessoas, é sobre a forma de comportar e pensar que se encaixa em algo rotineiro, previsível e insosso. 

Eu realmente ficaria ofendido se alguém me incluir na normalidade de acordo com esse segundo conceito. Porque, nesse caso, ser "normal" significa para mim ser como boi no pasto tocado pelo vaqueiro, que vai, sem questionar, aonde o vaqueiro tocar o gado. Nessa manada, sou boi rebelde. Não vou aonde o vaqueiro quer que eu vá sem questionar, sem saber se vale a pena, se é bom. Se não ser normal é ser louco como imaginam as pessoas, prefiro a pecha dos loucos, pois ser normal significa sobreviver sem viver, ser normal nos dias de hoje significa ser indiferente à poesia, ser indiferente ao belo, é não ter coragem de quebrar paradigmas, é não ter coragem de olhar para trás e decidir mudar tudo. 

Ser normal é achar graça em maus tratos aos animais, é achar que a pobreza é normal, é achar que a miséria é normal, é achar que a ignorância é normal. Ser louco não é ser idiota. Ser louco não é ser esquizofrênico ou psicopata. Ser louco contemporaneamente é ser livre para pensar, ser livre para entender que o mundo dos normais faliu, e que os loucos desse mundo só querem que as pessoas sejam loucas também, para que essa loucura, no amanhã, seja normal.

[Mauro Brandão]

T R E S L O U C A D O


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ELOGIO À LOUCURA I

Há dois tipos de loucos:
Os loucos visíveis,
que fazem da sua loucura a uto pia,
a crença no absurdo que se materializa concreto.
Estes são os loucos.

E os loucos invisíveis,
que se escondem atrás das sombras da sua loucura,
e ingratamente, não a reconhece.
Desdenham e deserdam a sua loucura como se não fosse deles.
Estes são os hipócritas.


ELOGIO À LOUCURA II

Da minha loucura fiz meu travesseiro.
E não há noite que eu não sonhe
Que um dia não fui louco,
e quantos pesadelos vivi por isso.

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ELOGIO À LOUCURA III

Algumas pessoas acham que eu ficaria ofendido se eu for chamado de louco. A vocês, digo de antemão: eu ficaria ofendido se eu fosse chamado de "normal"! Conceitos vagos sobre normalidade e anormalidade passam por duas impressões: 


A primeira é o conceito matemático de normalidade. Normal significa, na matemática, uma função estatística que incluem eventos mais frequentes, onde o que está fora do normal é não estar enquadrado nos padrões mais frequentes daquele determinado evento. E o outro conceito de normalidade, e é o que vem na cabeça das pessoas, é sobre a forma de comportar e pensar que se encaixa em algo rotineiro, previsível e insosso. 



Eu realmente ficaria ofendido se alguém me incluir na normalidade de acordo com esse segundo conceito. Porque, nesse caso, ser "normal" significa para mim ser como boi no pasto tocado pelo vaqueiro, que vai, sem questionar, aonde o vaqueiro tocar o gado. Nessa manada, sou boi rebelde. Não vou aonde o vaqueiro quer que eu vá sem questionar, sem saber se vale a pena, se é bom. Se não ser normal é ser louco como imaginam as pessoas, prefiro a pecha dos loucos, pois ser normal significa sobreviver sem viver, ser normal nos dias de hoje significa ser indiferente à poesia, ser indiferente ao belo, é não ter coragem de quebrar paradigmas, é não ter coragem de olhar para trás e decidir mudar tudo. 



Ser normal é achar graça em maus tratos aos animais, é achar que a pobreza é normal, é achar que a miséria é normal, é achar que a ignorância é normal. Ser louco não é ser idiota. Ser louco não é ser esquizofrênico ou psicopata. Ser louco contemporaneamente é ser livre para pensar, ser livre para entender que o mundo dos normais faliu, e que os loucos desse mundo só querem que as pessoas sejam loucas também, para que essa loucura, no amanhã, seja normal.



[Mauro Brandão]

***


FAIXA DE GAZA

Em cada um reside uma Faixa de Gaza!
Em cada qual, duas forças se estranham...
Uma quer viver a paz, outra quer viver a guerra.

Em mim e em você há uma Faixa de Gaza!
Uma facção minha quer odiar uma sua...
E outra facção minha amará a sua outra.

Em cada grupo apodera-se uma Faixa de Gaza!
E em cada grupo, um lado busca o poder...
E em cada grupo, do outro lado o poder se combate.

Em cada mulher nasce uma Faixa de Gaza!
Um rebento é feminino – aconchega o mundo...
Outro rebento é masculino - vira general.

Em cada homem digladia-se uma Faixa de Gaza!
Um deles é Abel, das liras e flores...
O outro é Caim, das barricadas e bombas.

Em cada consciência mistura-se uma Faixa de Gaza!
À esquerda, anjo caído que se rebela à dor...
À direita, anjo tenente que incorpora o senhor.

Em cada mente, se mente semente, Faixa de Gaza!
Que se arvora em frutos, sabor de prazer...
E que se envolta em espinhos, gritos de horror.

A vida dos viventes será sempre uma Faixa de Gaza!
Que a Noite é Breu, de Inferno carregado...
E Grande Estrela do dia, o Sol prateado.

[Mauro Brandão]
Site da Imagem: http://tudoehistoriasjc.blogspot.com.br/2010/06/faixa-de-gaza-cuba-do-oriente-medio.html

***




ESPELHAR-SE

Não há nenhum espelho capaz de refletir-te,
se alguém, sem si, se dispõe a dizer-te sobre ti.
Nenhum olhar poderá definir-te a beleza ou a dor.
Nenhuma palavra poderá indicar-te o caminho que há.

Não há espelho capaz de jubilar-te ou infelicitar-te,
Se os cheiros indescritíveis são apenas descritos a ti.
Nenhuma vírgula poderá atingir o seu ponto.
Nenhuma lagrima tua será derramada por outrem.

O único espelho que cabe a ti, e somente a ti
é o espelho do teu próprio olhar.
É o teu olhar sobre ti o único capaz de dar-te cores.
É teu espelho, tua única janela, que a ti reflete o universo.

[Mauro Brandão]



Foto: O poeta é um mágico 
que pratica a magia da poesia 
retirando de sua cartola mágica 
palavras mágicas.

[Mauro Brandão]


O poeta é um mágico
que pratica a magia da poesia
retirando da sua cartola mágica
palavras mágicas.

[Mauro Brandão]

***



E nada será por acaso.
Pois todo acaso é preciso!
E se por acaso for preciso,
Preciso que seja ao acaso.


[Mauro Brandão]


***






Quando se transforma em poesia o dia-a-dia...
Quando se transforma as dores em amores...
Quando se transforma o vazio num assovio
da criança liberta do cativeiro da vida adulta e deserta,
os movimentos mecânicos se transformam em dança,
e as frequências dos cheiros viram sabores e odores...

De qualquer florzinha boba no mato...
De qualquer curso d'água...
De qualquer canto de qualquer passarinho...
E de qualquer beijo que revoluciona qualquer alma...!

[Mauro Brandão – 14/02/2011]

***

Foto: O Universo está atrás.
Atrás dos nossos olhos, 
e atrás dos nossos olhos 
sonhamos com o Universo.

[Mauro Brandão]



O Universo está atrás!
Atrás dos nossos olhos,
e atrás dos nossos olhos,
sonhamos com o Universo.

[Mauro Brandão]

***


Estar vivo é sentir o pulsar
dos instantes
de infinitos instantes
que pulsam
Enquanto infinitamente
estamos vivos.

[Mauro Brandão]




Tudo o que é gasoso vira sólido.
E tudo o que é sólido desmancha-se no ar.
O que é semente apodrece.
E o que apodrece vira semente.
O amor é todo o ciclo,
Pois o amor é que faz mover o eterno...
Esquenta... esfria...
Esfria... esquenta...

[Mauro Brandão]

***



Antes que não dê mais tempo.
Antes que não sobre as sobras.
Antes da última gota de cerveja.
Antes que nossa língua desate...
Quero resplandecer sem olhar para trás.
Assumir a minha loucura, fazer festa.
Um banquete qualquer num casebre qualquer.
Sem olhar atrás. Seu olhar atroz...

Antes que fechem a porta.
Antes da última lágrima.
Antes que seja tarde.
Antes que chegue as dez...

[Mauro Brandão]

***

Foto: Chuvai - solaqui
Mas quem sabe amanhã
Chuvaqui - solaí?

[Mauro Brandão]

Chuvaí - solaquí
Mas quem sabe 
amanhã...
Chuvaquí - solaí?



[Mauro Brandão]



***



Foto: Jogo, um jogo jogado.
Um jargão julgado, um juri jorrado.
Juras que julga-me .
Por jorrar no jarro da joia.
Juros do jogo jorrado.
Do juri julgado.
Uma joia no jarro.
Uma jura jogada.

[Mauro Brandão]
...



Jogo, um jogo jogado.
Um jargão julgado, um juri jorrado.
Juras que julga-me .
Por jorrar no jarro da joia.

Juros do jogo jorrado.
Do juri julgado.
Uma joia no jarro.
Uma jura jogada.



[Mauro Brandão]


***

Foto: Hoje,
Estou com uma preguiça de chuva miúda.
Soninho de segunda de tarde.
Lassidão de pipoca de filme.
Bocejos de edredom.
Nostalgia de cama de criança.
Letargia do dia da noite insone.

Semiparalisado,
Esperando a tarde passar em branco...
Em cinzentas nuvens de garoa,
Melancolia do não ter o que querer.
Moleza consentida.
Do dia que se aproveita,
Para nada fazer e aproveitar.

[Mauro Brandão - 03/11/2012]

...


Hoje,
Estou com uma preguiça de chuva miúda.
Soninho de segunda de tarde.
Lassidão de pipoca de filme.
Bocejos de edredom.
Nostalgia de cama de criança.
Letargia do dia da noite insone.

Semiparalisado,
Esperando a tarde passar em branco...
Em cinzentas nuvens de garoa,
Melancolia do não ter o que querer.
Moleza consentida.
Do dia que se aproveita,
Para nada fazer e aproveitar.

[Mauro Brandão - 03/11/2012]

***





Galático, intergalático, em berço de estrelas.
Gnótico, gnomo, entre gomos de laranjas.
Galego, grego, entre medos e medusas.
Grotesco, gritante, entre voos aviltantes.
Gracioso, garboso, em passarelas perdidas.
Gratificante, refrigerante, mercado marcado.
Grafite, garrote, em passos gritados.
Grã-duque, Grã-Bretanha, da Távola Redonda. 
Gravado, gracejo, em versos sem nexos.

***





O que sai de nós,
E que é criação...
Vem dos astros,
Vem das estrelas,
E vem de nós,
De dentro de nós...

As estrelas
E os astros
Estão lá!
Lá!...
Mas estão aqui!
Aqui...!
Dentro de cada um de nós.


[Mauro Brandão]

***






Nosso corpo é podre e pueril.
Nossa mente é galáctica e estrelar.
Nosso corpo sente dores e suores.
Nossa mente sente brisas e moléculas.
Nosso corpo é míope e manco.
Nossa mente é passado e é futuro.
Nosso corpo é vaidoso e invejoso.
Nossa mente é humilde e virtuosa.
Nosso corpo é copo e panela.
Nossa mente são flores e cheiros.
Nosso corpo é burocrático e aristocrático.
Nossa mente é nobre e poética.
Nosso corpo é pífio e mortal.
Nossa mente é universal e imortal.

***






Quem caminha angustia...
Caminhos são calçados de angústias.

O chegar é insosso,
é pueril,
é poeira,
é raio,
é pulsar...
É lâmina, é lampejo!

Todo caminho se justifica.
É chegada ao ínfimo fim.
Mas é pelo caminho que se colhe angústias,...
como se colhe os frutos do pé.

Lágrimas do pensamento,
futuro que se almeja,
incerto instante efêmero,
o Tudo!
Que no instante seguinte...
é Nada!
Até que no próximo instante,
Nos entrelace,
a Angústia!

[Mauro Brandão - 15/11/2012]

***




Se o pensamento nos esmaga,
Não bate a porta, arromba!
Se evita-lo é perder tempo...
Então que venha, pensamento!
E como vento, passarás por mim.
Passarás, e eu montarei...
Atracarei em ti, como se agarra na sela
De um cavalo alazão.

[Mauro Brandão]

***




A vida é um grande trem da história,
Onde você entra numa estação qualquer
sem saber de onde veio,
e sairá em outra estação qualquer
sem saber para onde vai.

O seu destino é a viagem,
e a sua viagem está entre duas estações,
de um trem que saiu sem você,
e chegará sem você.

Um trem que é de todos,
e é de ninguém.
Mas enquanto você estiver no trem...
Você é o trem!

[Mauro Brandão - 15/11/2012]


***


NO OLHO DO FURACÃO

Não adianta! O momento, quando chega, chegou!

É chegado o momento de enfrentar o olho do furacão.

É chegado o momento de sabermos que, no minuto seguinte, nada será como antes.

É chegada a hora de renascer, pular o muro da coragem.

Um grande muro, faça-mo-nos escadinhas!

E que todo mundo pule o muro, e que todo muro pule o mundo.



Não adianta! Não adianta correr do momento.
A tênue fronteira de uma incalculável revolução.
Que busca um, que busca cem, e mais de um milhão.
Busca-se em vida, e até depois, no pós-vida.
O fio da navalha, a linha invisível, o portal quântico.

A hora de renascer não é a hora da morte.
Só se renasce em vida, pois só na vida há a chance de renascer-se.
O que deve se morrer é aquilo que nunca se viveu.
E se nunca viveu, não deve sobreviver-se.
Pois só se sobrevive aquilo que, de fato, vive-se!

E tudo, tudo gira no olho do furacão.
Não há como fugir, não há como escapar.
No olho do furacão, dancemos a cantiga de roda.
Se permita! Deixe-se girar no olho epicêntrico.
Saiba somente: o momento, quando chega, chegou!

[Mauro Brandão - 26/09/2012]

***



O medo!
Há coragem!
Há medo!
A coragem!

Há medo diante das raias da razão.
Aonde a coragem se depara com o leão.
O medo é uma corda amarrada aos pés.
Que se fantasia de coragem no viés.

Há um leão amarrado aos nossos pés.
Que se fantasia nas raias como viés.
A coragem se depara aonde há medo!
O medo é fantasia em quem há a coragem!

No medo, há coragem.
Na coragem, morre o medo.
Há um leão amarrado à razão.
Que aos pés se depara em viés.

Oh medo! Leão fantasiado em viés.
Oh coragem! Razão amarrada aos nossos pés.

[Mauro Brandão - 26/07/2012]

***


Não há amor consumido,
nem tempo consumado.
Teu vestido é tecido de tempo,
paralisado em amor calejado.

Amor consumado, tempo consumido
Vestido vermelho, amor dilatado.
Não há tempo, não há espaço. 
Amor é para quem ama e é amado.

***




E neste dia, onde o quem sabe deixar de existir.
E que o que era pergunta virará resposta.
E o que era desejo será fogueira
E o que era vontade será saciedade.
E o que era talvez será sim.
E se é sim, assim, sem princípio e sem fim.
E assim, enfim, seremos um sim.

Caminhar primeiro, chegar depois
Amar primeiro, amar depois.
Sim primeiro, sim depois...

[Mauro Brandão]



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